TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

Assenta no pressuposto teórico de que a mudança comportamental se deve à mudança de crenças. Ou, por outras palavras, para mudarmos a forma como agimos temos de mudar a forma como pensamos. Como afirmou o Imperador Romano Marco Aurélio “Se estás aflito por alguma coisa externa, não é ela que te perturba, mas o juízo que dela fazes. E está em teu poder dissipar esse juízo.” Neste singular e poderoso raciocínio encontra-se a base filosófica sobre a qual surgiu a Terapia Cognitivo-Comportamental.

 

A grande referência desta escola de Psicoterapia é Aaron Beck. Segundo Beck existe a chamada tríade cognitiva formada pelas crenças que temos em relação ao eu, ao nós e ao mundo, ou seja, a forma como pensamos sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo. E a Patologia resulta de uma distorção do pensamento, do aparecimento de crenças disfuncionais e cada perturbação psicológica é ilustrada por um conjunto de crenças. Estas crenças surgem através de um pensamento automático, a maior parte das vezes não consciente por parte do paciente. Por exemplo, um paciente pode queixar-se de um elevado estado de ansiedade sem saber o motivo de tal. Através de um conjunto de estratégias o paciente poderá perceber que tem um conjunto de pensamentos automáticos relacionados com crenças disfuncionais sobre si mesmo: como “eu tenho medo de perder o controlo” ou sobre o mundo “o mundo é imprevisível e perigoso” que fazem disparar os seus níveis de ansiedade. Cabe ao Psicoterapeuta através de técnicas de comunicação como o Diálogo Socrático e a Disputa Cognitiva encontrar as crenças disfuncionais e ajudar o paciente a fazer uma reestruturação dessas crenças, a chamada Reestruturação Cognitiva.

A Terapia Cognitivo-Comportamental pretende ajudar o paciente a ganhar cada vez uma maior consciência das crenças disfuncionais que possui e, para tal, recorre-se de alguns instrumentos como registos diários de crenças disfuncionais e grelhas de automonitorização.

 

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