• António Norton

Vamos falar sobre Trauma

Atualizado: Abr 28


Um trauma é a manutenção de uma resposta constante de alerta, de hipervigilância e hiperactivação sem um perigo iminente que a justifique.


Essa resposta pode traduzir-se :

A nível Físico:

-Pressão arterial elevada

-Tensão muscular acumulada

-Insónias

-Hipervigilância

-Pesadelos

-Úlceras

Entre outros sintomas


A nível Psicológico:

-Flashbacks - Memórias visuais, auditivas, olfactivas, tácteis- intrusivas ligadas ao acontecimento traumático e que se repetem involuntariamente.

-Desregulação emocional - Onde poderão aparecer estados de ansiedade, estados de pânico, crises de choro, tremores, desligamento da realidade, entre outros.

-Impulso para repetir o comportamento do trauma.

-Ódio

-Raiva

-Vergonha

-Impulsos de vingança

-Desconfiança


Muitas vezes, na minha prática clínica, uso uma imagem com os meus pacientes para os ajudar a compreender o que é um trauma.

Poder-se-ia comparar um trauma com as réplicas de um sismo. Quando se dá um sismo, sobretudo na zona do epicentro, a terra treme, por vezes, com bastante violência.

Depois deste primeiro abalo seguem-se, muitas vezes, outros abalos de menor intensidade, as chamadas réplicas.


Vou convidá-lo, então, a observar o nosso organismo como observamos a terra:

O que poderá fazer tremer o nosso organismo? Qualquer situação vivida como intensa, do ponto de vista emocional e essa situação poderá ser sentida como agradável ou assustadora.

Quando o nosso organismo reconhece uma situação assustadora, sente-se em perigo e a emoção do medo assume um dos primeiros planos. Muitas vezes, trememos de medo.


Se um organismo é exposto a uma situação entendida como situação de perigo, é activado um conjunto complexo de reacções  psicofisiológicas que pretendem dar resposta à tal situação de perigo. O medo poderá dar lugar ao Pânico e ao Terror.


Quando o corpo está exposto a uma situação de perigo iminente é alvo de uma enorme descarga de agentes químicos na corrente sanguínea.


Estes agentes activam músculos que se extendem do pé até ao maxilar.


Perante esta intensa activação o corpo procura uma resposta para sair da situação de perigo. Se for possível fugir ou lutar os músculos vão descarregar completamente a reacção bioquímica e o sujeito retoma ao seu estado normal de repouso e recuperação.


Se a descarga foi impedida por uma necessidade de imobilização como resposta última para fugir à situação de perigo iminente, vão surgir distúrbios de comportamento que vão conduzir a um quadro de Perturbação de Stress Pós Traumático - PTSD


PTSD resulta da excitação bioquímica residual não descarregada gerada durante o evento traumático.


Sem descarregar o corpo permance em contracção num estado stressante.


A grande quantidade de agentes químicos continua carregando o corpo num estado de excitação induzida químicamente.


O corpo tenta descarregar a energia em excesso repetindo internamente o trauma, aprisionado num ciclo de repetições compulsivas.


O cérebro precisa de receber um sinal de que o perigo acabou. Até lá o corpo repete o ciclo bioneurológico de protecção e defesa.


Basicamente, o nosso corpo tem de encontrar com rapidez uma solução para sair da situação de perigo. Nessa altura, surge um sistema de alarme, de alerta.


Explico:

No nosso cérebro existe uma pequena estrutura em forma de amêndoa, de seu nome ‘Amígdala’ que está fortemente relacionada com a emoção de medo.

Se nos sentimos em perigo, a Amígdala vai ficar hiperactivada, bem como o nosso hemisfério direito, o qual está mais relacionado com as emoções.

O nosso sistema nervoso autónomo entra em funcionamento e é dado um comando para que o sistema simpático entre em acção.

As pupilas dilatam-se para que entre mais luz e possamos apreender tudo o que está a acontecer no nosso campo de visão; a boca fica seca; os músculos faciais tensos; o coração bate depressa; a respiração torna-se ofegante; o sistema digestivo deixa de funcionar. Todo o corpo se prepara para uma reacção de emergência.

Ficamos hiperactivados.


O trauma acontece quando o organismo continua hiperactivado, depois do fim da exposição a uma situação de perigo.

É como se as réplicas do sismo permanecessem. Como se o organismo continuasse a tremer.

De algum modo, a reacção do corpo ficou cristalizada.

Será como imaginar um botão de alarme que ficou preso e nunca se desliga.


Quando falamos de trauma podemos estar a falar de uma situação isolada, como um acto de violação ou um acidente de carro ou uma situação continuada e aí falamos de trauma complexo. Um bom exemplo será viver toda a infância com um pai hostil e extremamente agressivo fisicamente.


Espero ter ajudado a clarificar o que é um trauma.


Naturalmente, se se revê em alguns destes sintomas e sente que não conseguiu ultrapassar uma situação traumática é urgente que procure ajuda de um especialista.


A Psicoterapia é o lugar certo para o ajudar a ultrpassar o seu Trauma.


Deixo -lhe o link directo para marcação da sua consulta


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Um forte abraço

António Norton


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