• António Norton

Procrastinação: Até onde me levas?

Atualizado: Abr 28


A Procrastinação é o acto de continuamente adiar responsabilidades e deveres, ao ponto de condicionar, limitar e prejudicar áreas significativas da nossa vida.


Quando estamos continuamente a adiar algo e não queremos de todo pegar na tarefa que temos a fazer, vamos prolongando o prazo para a sua realização. Temos um preço a pagar pelo nosso acto que, muitas vezes, se resume a um sentimento de culpa, pois temos consciência da importância da tarefa, mas não nos queremos confrontar com ela.


Para esquecer uma tarefa que se nos afigura, de algum modo, aversiva, vamos procurar a distracção dessa obrigação através da imersão em outras actividades que tenham o potencial de nos fazer esquecer as nossas responsabilidades. Mas quando realizamos essas actividades temos por companheira, a culpa...


A consciência da necessidade e da importância da resolução de uma dada tarefa, torna-se uma voz sempre presente. Ou seja: até queremos esquecer os nossos deveres, mas no fundo sabemos da necessidade de os cumprir. E esta noção é perturbante e acompanha-nos, ao ponto de recusarmos convites externos para realizar outras actividades, como ir beber um café, ou ir jantar com amigos, ou fazer outra coisa qualquer, justamente porque sabemos que temos aquela tarefa para cumprir. Não saímos de casa, mas também acabamos por não fazer nada.


Não somos livres e não nos permitimos essa liberdade.


A negação de termos momentos intencionais e não fugitivos de prazer, gera consequências emocionais e psicológicas. Ou seja, quando ficamos em casa a observar as nossas obrigações e fugimos delas refugiando-nos em outras actividades, não tiramos prazer dessas mesmas actividades, uma vez que sentimos culpa por não estarmos a fazer o que deveria ser feito.


Tudo se torna num fardo pesado e nada dá prazer, uma vez que, por um lado, não queremos enfrentar as nossas responsabilidades e por outro, queremos fugir a elas fazendo outras coisas. Mas a culpa persegue-nos e impede o gozo que essas atividades poderiam proporcionar. Ficamos num estado de impotência que pode gerar colapsos de natureza depressiva.


O que é importante perceber é que, qualquer tarefa temida será encarada com outra leveza se for precedida por uma actividade agradável e vivida sem culpa. Surge então a questão: "mas se assim for, vamos estar a perder tempo... Se eu tenho um relatório para entregar, devo ficar todo o dia em casa para o fazer! Não devo ir jogar futebol com os amigos!"


A questão é que poderá parecer que perde tempo físico, mas ganha, de algum modo, tempo psicológico, tempo emocional e tempo interior. O que eu quero dizer com isto? Com isto quero dizer que, ao dar a si próprio o direito de se divertir, vai produzir uma descontracção no seu corpo, libertando-se da tensão do peso da responsabilidade e essa mesma liberdade fará com que quando tiver que regressar a casa para cumprir a sua tarefa, esta obrigação será muito mais simples e muito menos penosa.


É típico durante a realização de uma tese de Doutoramento surgirem estados de depressão, ansiedade e tensão acumulada. Ora um dos factores para tal acontecer é, justamente, o impedimento voluntário e consciente da possibilidade de gozar livremente umas horas de descontracção, de leveza, de diversão, de gozo. Esse impedimento levará a sentimentos de revolta profunda para com a castração que a própria pessoa gera dentro de sí mesma. "Não podes divertir-te porque tens esta tese para fazer". Surgirá, depois, revolta por toda esta tensão e obrigação, por vezes desmedida, descontrolada, obsessiva e problemática.


A solução é perceber que ganha tempo interior e terá outros resultados se der a sí próprio a possibilidade de se descontrair.


Se mesmo assim não o conseguir, procure a Psicoterapia. Será certamente útil.


Aqui lhe deixo o link para marcação da sua consulta, caso sinta essa necessidade.

https://www.antonionortonpsicoterapia.com/marcar-consulta


Cumpra as suas obrigações, mas não se esqueça de se divertir!


Um abraço

António Norton


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