• António Norton

Implicações psicológicas dos relacionamentos coloridos

Atualizado: Abr 28


Desta vez gostaria de abordar um tema polémico. Não me considerem, por favor, moralista ou preconceituoso. Pretendo apenas e só, reflectir com vocês sobre uma questão que me parece pertinente.


Gostaria de falar sobre os amigos coloridos e as implicações psicológicas desse comportamento.


Seja amigo ou amiga, doravante vou referir-me sempre no masculino, portanto, amigo, sem qualquer preferência sexual, apenas por um critério de simplicidade prática.


Idealmente, os amigos coloridos funcionam quando ambos os elementos não pretendem envolver-se emocionalmente e desejam, unicamente, desfrutar de bons momentos, sem qualquer espécie de compromisso. Apenas a atracção física, o prazer em partilhar bons momentos, mas sem compromisso ou ligação emocional.

Estas palavras são muito bonitas, mas pura e simplesmente, a maior parte das vezes este equilíbrio tão frágil, facilmente se desfaz. E porquê? Bom, porque nós, humanos, somos feitos de emoções e de ligações através das emoções; porque nós procuramos a plenitude emocional e não situações em que haja bloqueios, quebras ou censuras emocionais. Vou procurar explicar-me melhor.

Quando entramos neste registo dos ‘amigos coloridos’ aparentemente confortável, entramos num terreno pouco sólido, construído sobre alicerces pouco seguros. O que acontece é que, muitas vezes, um ou até os dois se envolvem emocionalmente. É este o cerne da questão: quando um dos elementos se envolve emocionalmente e o outro não. Dá-se então um desequilíbrio difícil de contornar. E o problema é que esta situação acontece muitíssimas vezes.

Mas se ambos assim o desejam e se envolvem numa relação, então é tudo fantástico. Contudo, é raro existir este comprimento de onda. A maior parte das vezes, um dos elementos fica realmente cativo, enquanto o outro está no seu registo de saborear o momento sem tencionar assumir qualquer compromisso.

Então, e quando um dos elementos se deixa envolver? O que fazer?

Pode, por exemplo, resolver não dizer nada. O estado de enamoramento é cada vez maior. Mas como existe o tal desequilíbrio prévio, essa ligação emocional trará sofrimento, dependência, expectativas e exigências.


Outra hipótese é abrir o jogo completamente, arriscando-se a perder a ‘relação colorida’. Ganha, pois, o trunfo da honestidade.


Vou demorar-me um pouco mais nos benefícios de terminar uma’ relação colorida’ quando se começa a perceber, verdadeiramente, um envolvimento. Por um lado, é confortável ter alguém com quem pode estar e partilhar bons momentos, mas não pode dizer certas palavras próprias da reciprocidade amorosa como «amo-te» ou muitas outras; não pode ter certos gestos próprios da ligação e da cumplicidade amorosa, pois isso seria algo doloroso e estranho. Sim, é tudo estranho, e a relação vai tornar-se cada vez mais estranha. Mais vale terminar esta aventura em que ambos os elementos já não estão na mesma sintonia. E há sempre a possibilidade de conhecer outra pessoa por quem realmente se possa apaixonar e sentir essa reciprocidade. De uma maneira ou de outra, essa paixão é um estado e um sentimento no qual se acredita, que se deseja e que nos preenche de outra forma.


Penso que também é importante falar da presença física e psicológica de um amigo colorido. Enquanto estamos envolvidos, essa pessoa invade, de alguma forma, o nosso interior. Portanto, terá tendência para fazer comparações entre as pessoas que, livre e interessadamente, for conhecendo e o seu amigo colorido. Simplesmente, estas comparações ainda podem afastar mais uma eventual relação com uma pessoa que pode não ter o mesmo grau de atracção do seu amigo colorido, mas pode realmente gostar de si, de uma forma recíproca e não apenas colorida.


Outra ideia que gostaria de debater é a ideia do conforto de ter alguém, mesmo que seja uma aventura sem compromisso. Poderá dizer: «sim, mas esta noite está frio, nem sequer ia sair e assim ao menos vem cá ter o meu amigo colorido e vou passar um bom bocado». A experiência da falta faz-nos crescer interiormente. Se terminar uma ‘relação colorida’ em que sente um desequilíbrio no investimento amoroso, vai, de facto, passar noites com frio, solitariamente, mas essa experiência vai dar-lhe outra garra e outro ânimo para procurar uma pessoa que realmente o possa preencher.

Enfim, mais uma vez gostaria de dizer que estas são apenas e só as minhas reflexões. Não são nem pretendem ser verdades adquiridas e categóricas.

Essencialmente, todos procuram amar e ser amados na plenitude do gesto e da palavra. As amizades coloridas são um meio-termo, um meio-caminho, onde tudo está bem quando existe a mesma sintonia. Mas a vontade da entrega amorosa rapidamente altera este equilíbrio precário. Um acaba por querer amar o outro, esse outro que apenas deseja divertir-se. O que fazer então?


Se se encontra envolto numa relação colorida instatisfatória e sente-se dependente de tal, acredite que a Psicoterapia poderá ser uma ajuda preciosa.


Deixo-lhe o link directo para marcar a sua consulta.


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Um abraço

António Norton


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