• António Norton

Cuide de Si para poder cuidar do Outro


Vivemos tempos muito desafiantes.

O medo de contagiar sobretudo os grupos ditos de risco, poderá gerar uma maior hiper vigilância e receio da proximidade no contacto social.


A geração que agora tem 30/40/50 anos naturalmente quer cuidar dos seus pais e familiares mais idosos, mas também tem receio de os contaminar.


Um grande dilema, pelo qual passa esta geração.


Tenho recebido no meu consultório muitas pessoas que estão dentro deste intervalo etário e expressam o quão difícil é o isolamento a que se submetem para poderem cuidar dos seus pais, que muitas vezes estão sozinhos.


São pessoas que aparecem na consulta com sinais evidentes de desgaste emocional, cansaço, tensão acumulada e ansiedade.


Sentem-se sozinhas, mas não querem conviver por medo de poderem ser um agente de infecção.


Eu gostaria de reflectir com todos vocês sobre esta difícil escolha…


Para tal vou recorrer a uma imagem que, por vezes, utilizo nas minhas sessões:


Imaginemos um avião que passa por uma zona de turbulência e despressurização (falta de oxigénio dentro da cabine do avião).


Esta situação limite, obriga sempre à colocação de máscara de oxigénio. Se estiver numa situação desta natureza, mesmo que tenha ao seu lado os seus filhos, os seus pais, os seus amigos, ou simplesmente alguém que está prestes a desmaiar, a primeira escolha que tem de fazer é colocar a máscara em si próprio. Tem de usar um tempo precioso para colocar a máscara em si e poder respirar novamente. Com a entrada de oxigénio, poderá então socorrer as outras pessoas ao seu lado.


Ou seja, primeiro tem de cuidar de si e só depois poderá socorrer os outros.


Ora bem, uso esta analogia para me ajudar na reflexão que pretendo fazer.


O que acontece a uma pessoa que se isola forçadamente, evita os convívios sociais e vive assustada com medo de poder ficar contagiada?


Geralmente, o resultado é a instalação de um quadro depressivo e de ansiedade generalizada. A ausência forçada de contacto humano é um dos maiores preditores para o aparecimento de um estado depressivo. Nunca é demais repetir: precisamos do contacto uns dos outros e não chega o espaço virtual, porque nada substitui o contacto humano.


Sem contacto o risco de depressão é muito superior. Os níveis de irritabilidade e desregulação emocional aumentam, a tensão aumenta e pode instalar-se um quadro de insónias a gerar maior cansaço, irritabilidade e tensão.

A questão que se deve colocar é: como poderá ser um bom cuidador para os seus pais ou familiares mais idosos se escolher um isolamento forçado?

Qual será o seu estado anímico, emocional, corporal, mental para poder cuidar dos seus entes queridos?


As pessoas de risco poderão estar mais ansiosas, com mais receios, com mais medos. Tudo isso é natural.

E o que mais precisam é de cuidadores calmos, serenos, equilibrados, regulados em harmonia e não pessoas hiper vigilantes, com elevada irritabilidade e tensão.


Assim, se é cuidador tem de cuidar primeiro de si mesmo para poder cuidar dos outros.


Não carregue o peso da culpa de poder ser um agente infeccioso. Se carregar esse peso poderá ficar imobilizado e entrar nesta espiral de isolamento, depressão e ansiedade.


Para cuidar de si deve privilegiar o contacto com os outros. Estar com outras pessoas ajudará a uma renovação e reciclagem emocional.


Bem sei que os tempos são delicados e não estou a dizer para correr elevados riscos no contacto e proximidade, mas com os devidos cuidados deve manter o contacto com a sua rede de amigos e familiares.


Além da importância do convívio, também me parece importante continuar a investir em atividades que lhe deem prazer, como ir a uma sessão de relaxamento, de acupuntura, de prática de exercício físico em grupo ou outro tipo de actividades.


Espero que esta reflexão lhe faça sentido e o ajude a ser mais flexível consigo mesmo.


Cuide primeiro de si para poder cuidar dos outros.


Caso a sua culpa e o seu medo não lhe permitam conviver com pessoas e se reconheça dentro da espiral de depressão e ansiedade que lhe descrevi, recomendo que procure a Psicoterapia.


No espaço seguro do consultório de Psicoterapia poderá entrar em contacto com o seu lado culpabilizante e encontrar formas de se poder tornar mais flexível consigo mesmo. Assim poderá voltar a cuidar de si.


Deixo aqui o link directo para marcação da sua consulta.


https://www.antonionortonpsicoterapia.com/marcar-consulta


Um forte abraço

António Norton



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