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© by ANTÓNIO NORTON PSICOTERAPIA

  • António Norton

A Psicoterapia como espaço de liberdade


Durante os meus anos de faculdade ouvi com frequência a seguinte frase: um dos principais objetivos da Psicoterapia é a de aumentar a liberdade dos pacientes.

Fui ouvindo e ouvindo e ouvindo e procurei digerir a informação à minha maneira.

Na verdade, é isso que acontece com todos nós: cada um procura interiorizar ou acomodar a informação que vai recebendo no contínuo contacto com o mundo que nos rodeia.


Também assim fui fazendo.


Hoje em dia, volvidos 13 anos de experiência clínica, cada vez mais me é clara, cada vez mais aprecio a ideia da relação entre a Psicoterapia e a Liberdade.


De tal modo assim é que, em consulta, costumo dizer com muita frequência aos meus pacientes que a Psicoterapia tem como principal objectivo aumentar a liberdade de cada pessoa.


Mas afinal o que significa esta ideia de aumentar a liberdade?


Todos nós seres humanos crescemos em função das experiências que vamos tendo. As experiências são guardadas na nossa memória, consoante o grau de impacto emocional que tiveram para nós. Podemos até não guardar a experiência por inteiro. E ainda bem que assim é senão íamos armazenar uma quantidade infinita de informação.


Mas mesmo que não o façamos na sua plenitude, a verdade é que vamos guardando informação e sobretudo guardamos a emoção que tal experiência nos provocou. Quanto maior o impacto emocional, maior a recordação de tal experiência.


Ora, ao longo do nosso crescimento, vamos tendo as mais variadas experiências, umas sem interacção  e outras em contexto relacional.


As relações que desenvolvemos com as pessoas que para nós são significativas assumem sempre particular importância. Quando digo significativas, refiro-me ao grau de importância que lhes atribuímos para a construção da nossa auto-estima. Nesse núcleo podemos colocar as figuras de vinculação e de afecto como os nossos pais, avós, irmãos, familiares chegados, alguns amigos, pessoas que admiramos e que queremos que nos valorizem.


Todas as emoções no contexto relacional giram em torno da fundamental questão da valorização. Em poucas palavras: queremos que as pessoas que para nós são significativas nos valorizem, que olhem para nós, nos respeitem, nos oiçam, nos vejam, nos integrem.


Existe uma forte relação entre a valorização e a auto-estima. Se nos sentimos valorizados interiorizamos a ideia de valor próprio e a nossa auto-estima pode crescer fortemente, mas se tal não acontece a nossa auto-estima poderá ser mais frágil.

Ora quando uma pessoa é significativa para nós temos a expectativa e o desejo de que essa pessoa que nos valorize.


Essa expectativa está relacionada com o nosso comportamento. Desejamos que o nosso olhar, as nossas palavras, a nossa voz, a nossa expressão, o nosso gesto seja reconhecido e valorizado. Se tal acontecer, guardamos uma boa emoção, sentiremos conforto, proximidade, satisfação interna, paz. Guardamos essa boa memória e futuramente iremos reproduzir esse padrão de comportamento na expectativa de desencadear a mesma resposta. Se assim acontecer, voltamos a esse lugar emocional de conforto e satisfação.


Mas, naturalmente também existem situações em que o nosso comportamento não segue a expectativa que temos. A pessoa significativa não reage como queremos e pode ser hostil, provocadora, indiferente, agressiva, distante, e.t.c. Se tal acontecer, pode gerar-se um padrão conduzido por uma memória emocional que poderá ser de tristeza, de zanga, de ódio, de raiva, de apatia, de desligamento, e.t.c.


As nossas emoções assinalam sempre o nosso estado interno. São bússolas para nos guiar no intrincado labirinto das nossas relações.


Ora, quando ficamos na posse dessa memória emocional, ficamos alerta para situações que podem ter a possibilidade de gerar o mesmo estado.


Vou dar um exemplo: Se em pequeno eu tive um comportamento de aproximação ao meu pai e lhe pedi colo e ele mo rejeitou, ciclicamente eu vou criar um condicionamento e uma aprendizagem de que se pedir colo posso ser rejeitado. Então, quando for adulto posso ter muita dificuldade em pedir colo, o que se traduz em verbalizar a necessidade de afecto, por exemplo.


E onde entra a noção de liberdade e de prisão?


Tenho vindo a dizer que guardamos memórias de experiências relacionais de valorização e desvalorização, mas isso não significa que essas mesmas memórias estejam num plano de consciência. Significa sim que nos condicionam nas relações que estabelecemos e nos tornam reféns desses mesmos padrões que temos vindo a repetir.


As pessoas quando surgem em Psicoterapia, na grande maioria das vezes não imaginam por que razão têm os comportamentos que têm. Por que razão não conseguem pedir ajuda, ou verbalizar a necessidade de afecto, ou entregar-se numa relação amorosa, ou poder confiar, ou ter ciúmes ou muitos outros comportamentos. Não fazem qualquer ideia. Apenas sabem que são vítimas desses comportamentos e gostavam que assim não fosse.


Se são vítimas é porque não são livres. Estão reféns desses padrões alimentados ao longo da sua vida e que surgiram muitas vezes precocemente.

A psicoterapia através de exercícios de imagética, de consciência corporal, da respiração, do contacto com as emoções, da relação de confiança e de segurança que estabelece com o psicoterapeuta ajuda as pessoas a ganharem consciência do carácter padronizado do seu comportamento. As pessoas percebem que repetem o mesmo padrão vezes sem conta em variadas situações. E ganhar esta consciência é o primeiro passo.


A Psicoterapia ajuda a pessoa a entrar em contacto com as suas feridas emocionais, com as memórias dolorosas de experiências de desvalorização e que condicionaram a forma como agem hoje em dia. Compreendem de onde vêm as suas feridas.


E que vantagem tem este aumento de consciencialização? Aumenta o grau de liberdade! A pessoa deixa de estar refém do seu condicionamento emocional. Vou dar mais um exemplo: Uma pessoa pode procurar a psicoterapia porque não consegue pedir afectos. Após um processo psicoterapêutico, a pessoa pode então perceber que o facto de não ter recebido o afecto do pai não significa que tal vá acontecer novamente. Tem então o poder da escolha. É essa a tal liberdade finalmente conseguida: peço ou não peço afecto. E sinto-me muito bem com essa liberdade!


Por isso podemos dizer que a Psicoterapia aumenta a liberdade de cada um de nós.


Se sente refém de padrões repetitivos e não encontra a liberdade e a chave para sair destes ciclos viciosos disfuncionais, acredite que a Psicoterapia pode ser uma valiosa ajuda.


Se sente necessidade de procurar apoio psicológico, aqui lhe deixo o link directo para marcação de consulta.


https://www.antonionortonpsicoterapia.com/marcar-consulta


Espero que este texto seja claro e que ajude a compreender melhor o valor e a importância da psicoterapia.

Um abraço

António Norton   

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