• António Norton

A auto-estima e a relação entre TER e SER

Atualizado: Abr 28


Hoje em dia cada vez mais se fala em auto-estima e em problemas de auto-estima.

Numa sociedade cada vez mais competitiva, mais arrogante, mais fria e distante nunca se sentiu, como agora, a importância vital da auto-estima.

Na minha prática clínica recebo, diariamente, pacientes que dizem ter baixa auto-estima.


Mas afinal o que é a auto-estima?


Dito por palavras é algo muito simples. É simplesmente gostar de si, acreditar em si próprio.

Esta definição parece simples, mas, efectivamente, muitas vezes não é nada fácil gostarmos de nós mesmos.


Gostaria de acrescentar outra ideia fundamental à questão da auto-estima: Ter auto-estima é, simplesmente, gostar de si porque sim, porque existe e porque é! Não é por ter um bom carro, um bom emprego, um corpo bonito ou um rosto bonito ou o que seja. Para ter auto-estima, simplesmente basta sentir a sua própria aceitação. Apenas.  Nem mais, nem menos do que isto.

Essencialmente, não precisa de Ter, mas sim de Ser. E, para Ser, não precisa de nada, uma vez que simplesmente já o é.


Parece difícil?


Dou outro exemplo:


Quando um bebé é desejado e nasce, é apenas um ser minúsculo cujo cabelo muitas vezes muda de cor, cujos olhos podem mudar de cor e o tom de pele, por vezes, também muda. Ele simplesmente é amado porque existe, e existindo recebe o amor dos seus pais. E essa é talvez a maior riqueza sem preço que os pais podem dar aos seus filhos – o seu amor - simplesmente pelo facto de serem seus filhos.


É nessa base da aceitação e do amor que lhe é dedicado que irá construir a sua identidade.


E quando o amor dos pais pelo filho, não existe?


Entramos, pois, em dinâmicas condicionais de aceitação. Quando os pais apenas valorizam os êxitos, os sucessos, os objectivos cumpridos, a beleza, a inteligência, então a criança vai esforçar-se sempre por agradar os pais, de modo a receber a sua atenção, reforço, afecto e amor. Aprende que, para merecer ser amado, tem de ter boas notas, ou um bom comportamento, ou ser bonito. Assim se entra numa espiral de condicionamento.


Passa a querer Ter, para sentir que pode Ser. E surge, assim, um forte candidato a desenvolver problemas de auto-estima. Convém não esquecer que nem sempre é possível Ter.


Então, quando não Tem, abre feridas no seu vulnerável Eu e surgem problemas de auto-estima. Aparece um sentimento de culpa, como que uma voz interior muito crítica que diz: Tu não mereces Ser porque não Tens.


Outro exemplo é a criança que vai crescendo com pais indiferentes. Por mais que se esforce nunca é valorizada, reconhecida, aceite e amada e aí também entramos em espirais condicionais de Ter para poder Ser.


O problema da auto-estima é o problema do Ser. Para se amar a si mesmo não precisa de Ter um rosto bonito, um corpo fantástico, ser inteligente, ter um carro, uma boa casa ou o que for. Precisa simplesmente de Ser.


Pense nisto e goste de si porque, essencialmente, é!


Se enfrenta problemas de auto-estima, a Psicoterapia pode ser uma ajuda valiosa.


Deixo-lhe o meu link directo para marcação da sua consulta, se assim lhe fizer sentido


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Um abraço

António Norton






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