• António Norton

Porquê psicoterapia?

Atualizado: Abr 28



Geralmente a procura de um apoio psicológico é resultado de uma urgência sintomatológica. Quando o nosso corpo “grita” por ajuda é aí que surge a intervenção psicológica como possibilidade de solução e resolução dos sintomas presentes.


Quando falo de sintomas refiro-me a manifestações corporais que funcionam como sinais de alerta. Esses sintomas poderão surgir, grosso modo, num quadro de natureza mais ansiosa - de hiperexcitabilidade ou hiperactivação ou mais depressiva - de hipoexcitabilidade ou hipoactivação do sistema nervoso.


Estes são alguns sintomas que surgem dentro de um quadro mais ansioso: - insónias - taquicárdia - respiração ofegante - tremores - flutuações de humor - dores de cabeça - tonturas - visão em túnel - impulsividade motora


Num quadro mais depressivo poderemos encontrar, entre outros: - apatia - tristeza permanente - nó na garganta - perda de apetite - hipersónia - falta de energia - choro contínuo - desligamento


Por vezes o colorido depressivo e ansioso misturam-se num quadro sintomatológico misto. Estes sintomas geralmente apresentam uma marcada intensidade, a ponto de se tornarem preocupantes e criarem um sentido de urgência na procura de apoio clínico. Por vezes este quadro requer uma intervenção conjunta com intervenção psiquiátrica. Este é o ponto de partida na grande maioria dos casos de procura de apoio.


Parece-me importante refletir e partilhar o seguinte: a intervenção psicológica de redução ou extinção da sintomatologia apresentada não representa a erradicação do novo aparecimento dos sintomas. Eu compreendo que seja tentador após o desaparecimento do sintoma e perante o investimento económico, haver o desejo de terminar o processo de consultas. Mas se não existir um trabalho de 2ª linha ou 2ª ordem - um trabalho de natureza Psicoterapêutica - o risco é o de um reaparecimento da sintomatologia.


“Ah! Mas isto foi só uma crise e já me sinto melhor”


Por muito tentadora que esta justificação seja, é importante compreender que o sintoma é apenas o reflexo ou a manifestação visível de um conflito emocional. Esta tese poderá ser discutível e admito-o, mas é a minha crença clínica e é sob a qual oriento o meu trabalho clínico.


Sem um trabalho que procure compreender o conflito emocional que conduziu aquela pessoa a entrar numa crise ou numa dinâmica de relacionamento disfuncional, ou a não resolver um luto, ou qualquer outra situação, o trabalho clínico será insuficiente e redutor. O que quero dizer com o termo Conflito Emocional? Refiro-me ao bloqueio, à inibição ou à repressão da expressão emocional de certas emoções, passo a redundância. E para compreender esse conflito temos de conhecer a história emocional do cliente. O seu passado, as ligações afetivas com os seus pais e figuras de cuidado; com quem aprendeu a expressar certas emoções e a reprimir outras, para que, deste modo, se aumente a consciencialização da pessoa para as suas necessidades emocionais não preenchidas. A consciencialização dessas necessidades vai contribuir para a compreensão e para o entendimento da manutenção de certos ciclos disfuncionais nos quais a pessoa se colocou enquanto adulto, repetidamente, muitas vezes na procura de uma valorização que não obteve na infância.


Porquê Psicoterapia?


Porque assume duas funções fundamentais, contribuir para a consciencialização das necessidades emocionais não preenchidas e da compreensão dos ciclos disfuncionais repetidos quase em piloto automático. A possibilidade de um espaço terapêutico seguro, num contexto de segurança, com uma figura terapêutica disponível, capaz de conter e de impor limites e assim de regular a expressão emocional, de forma a que tal possa acontecer de uma forma que respeite o ritmo corporal e organísmico de cada pessoa.


A expressão livre de emoções reprimidas, sejam de ternura, de afecto, de amor ou de zanga profunda vão contribuir para outra higiene emocional. Se tivermos as nossas emoções disponíveis e outra consciência de nós mesmos podemos agir sobre o mundo com outra liberdade interna. Vivenciar a expressão livre da ternura, do afeto, da sexualidade e poder expressar zanga e assim poder impor limites.


Essa higiene vai contribuir para a rutura de ciclos disfuncionais e vai reduzir consideravelmente a possibilidade de re-emergência dos sintomas que conduziram à procura inicial de apoio psicológico.


Espero ter sido claro e que este artigo seja útil para a compreensão da importância e da unicidade da Psicoterapia. Para compreender por que razão existe Psicoterapia e qual a sua finalidade última, que me apaixona e à qual me dedico. Deixo-lhe o meu convite para visitar o meu site, conhecer o meu percurso clínico e as minhas principais áreas de intervenção.


Um abraço

António Norton




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