• António Norton

Não sou capaz de pedir ajuda


Na minha prática clínica, recebo vários casos de pessoas que partilham o seu conflito com o acto de pedir ajuda.

“Não quero ser invasivo”

“Não quero ser um peso”

“Não quero chatear ninguém”

“Eu resolvo sozinho”


Estas são algumas das frases que ouço quando procuro perceber a razão que os pacientes apresentam para manter esta atitude.


Digo “a razão que apresentam”, pois esta explicação é dada a um nível consciente. É verbalizada e elaborada por um adulto, mas existe uma outra explicação menos perceptível e até, muitas vezes, menos consciente.


Quando digo que existe um conflito, tal pressupõe uma ambivalência, uma divisão, um jogo de forças contrárias.


Neste caso, existe uma parte da pessoa que procura sabotar a intenção de pedir ajuda, negando essa necessidade, criticando-a e procurando uma justificação racional para não precisar de pedir ajuda. A outra parte de si, que quer pedir ajuda e anseia por compreensão e amparo deseja, realmente, ser ajudada.


Gostaria de convidar o leitor deste artigo a pensar um pouco comigo:


Nós, seres humanos, quando nascemos somos totalmente dependentes dos nossos pais e, para termos as nossas necessidades satisfeitas, usamos a nossa voz através do choro ou do grito e, mais tarde, os nossos braços e o nosso corpo para pedir colo, suporte, afecto e protecção.

A intenção de pedir ajuda é algo orgânico, natural e humano.


Mas nem sempre os nossos cuidadores são receptivos aos nossos pedidos de ajuda.


Vamos pensar o que poderá acontecer se um bebé estender os seus braços e pedir colo e os seus pais forem frios, hostis, sádicos, ausentes ou até agressivos?


O impulso de pedir ajuda rapidamente irá desaparecer…


Geralmente a negação do pedido de ajuda por parte dos pais é feita através de uma atitude de simplesmente ignorar o pedido, ou mesmo por algum tipo de intimidação não verbal, onde, muitas vezes, se destaca um olhar frio, hostil, um maxilar tenso ou verbal com o uso de palavras gritadas ou carregadas de zanga ou desprezo.


Quem sofre esta falta de receptividade de um modo contínuo acaba por deixar de pedir ajuda.

Quando deixamos de pedir ajuda, deixamos de contar com o outro.


O crescimento é feito numa dinâmica própria de auto-suficiência, de independência e de autonomia.

A pessoa que deixou de pedir ajuda torna-se um “perito” em não precisar de ninguém.


Mas…


Nós humanos somos seres gregários, comunitários e sociais. Temos carências de afecto, de colo, de partilha, de amor, de toque. A pessoa que se tornou auto-suficiente, até pode escolher para seu companheiro ou companheira uma pessoa que evita demonstrar os seus afectos, mas o sentido de autonomia tem limites…


E, por vezes, a vida apresenta-nos desafios em que a perda do nosso pilar afectivo traz a impossibilidade de permanecer numa dinâmica de auto-suficiência....


O que acontece a uma pessoa que entra em contacto com a necessidade de afecto, de colo e não é capaz de o fazer?

O que acontece a alguém que vive este conflito?


Regra geral, vai sentir-se impotente e poderá entrar em depressão.


Voltando à pergunta inicial: uma pessoa que não é capaz de pedir ajuda é, geralmente, alguém que sofreu cedo na sua vida uma castração no seu impulso natural, o que resultou na construção de uma estrutura de personalidade vivida como auto-suficiente.


Este é o real motivo psicológico.


A pessoa desenvolve o medo de voltar a ser ignorada ou abandonada e prefere não correr esse risco. Fica presa à estratégia que outrora a permitiu sobreviver emocionalmente.


Se chegou a uma altura da sua vida em que precisa de pedir ajuda, contacto, calor, mas sente-se impotente para o fazer e está cada vez mais sozinho, acredite que a Psicoterapia o poderá ajudar a reencontrar a capacidade de usar os seus braços, a sua voz e o seu olhar para chegar ao outro.


Deixo-lhe o link directo para marcação da sua consulta.


www.antonionortonpsicoterapia.com/marcar-consulta


Um forte abraço

António Norton



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